Introdução

“...the most radical and distinctive literary contribution of the computer has been [...] the intimate layering and fusion of imagined spatiality and temporality.”

- Robert Coover

Quem Matou Clarah Averbuck é um conto de mistério com um experimento na interface. Os locais residenciais marcados no mapa foram escolhidos ligando para imobiliárias e perguntando por imóveis para alugar com o perfil que eu tinha em mente para cada cenário. Não sei quem morava nesses lugares antes, ou quem mora agora. Os personagens são também todos fictícios, exceto Clarah Averbuck, que é ela mesma. Mas tudo que digo a seu respeito é mentira, a começar por seu falecimento.

Este conto é um experimento na aparentemente natimorta arte do hipertexto, que não sei bem se já é falecida ou se ainda não começou de verdade. É um “experimento” principalmente por causa da interface tecnológica (WE ARE ON THE INTERNETS!); a novidade reside na mídia e seus efeitos, que é meu interesse principal aqui. Fora isso, há pouco que os Pavics, Calvinos, Perecs e Queneaus já não tenham explorado em décadas passadas. A forma – estou incluindo a mídia aqui – foi a primeira coisa a ser decidida. Todo o resto é decorrente diretamente dessas decisões formais, inclusive a decisão de matar Clarah Averbuck – que aliás não conheço, cujos livros não li e a quem desejo ainda muitos anos de vida.