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September 7th, 2008

flusser @ silver box
Conceito

Trata-se de uma investigação sobre a transformação das imagens em interface que interroga o papel do código algorítmico na construção da visualidade e explora os processos de desmaterialização/recomposição da identidade, via imagem, em redes sociais.

Parte-se aqui de um diálogo conceitual com o filme Blow Up (Antonioni, 1966) para operar uma releitura dos ensaios seminais de Vilém Flusser sobre fotografia em forma de experiência estética.

A partir de um embate com os parâmetros estruturais de construção da imagem digital – pixel e codificação numérica da cor – procura-se diluir seus segredos (interpretados aqui como sua caixa silícia, uma atualização da caixa preta flusseriana), colocando suas rotinas de programação em circulação. Isso é feito utilizando os recursos mais comuns de produção e publicação de imagens na web, como MMS e Flickr, e sistemas complexos de programação que transformam as variáveis das imagens em sistemas abertos para fruição de suas linhas de comando/

Operação

O projeto permite que se enviem fotos, via MMS ou Internet, de qualquer dispositivo com conexão (celular, câmera fotográfica, computador) para um servidor que recebe os arquivos, envia-os para o Flickr do projeto, processa o aplicativo “silverbox” e, simultaneamente, os disponibiliza na web e em forma de projeção no recinto expositivo.

Desenvolvido com Processing e baseado em servidor Windows ou Linux, esse aplicativo transforma a imagem em uma interface imersiva e navegável. A partir da conversão da codificação numérica de cor em medidas de altura, o aplicativo “silverbox” associa a cada pixel, uma linha projetada tridimensionalmente, cuja medida é calculada pela soma dos parâmetros RGB (Red, Green e Blue) da imagem.

O envio de fotos para o recinto expositivo pode ser feito localmente, com o uso de equipamentos pessoais dos visitantes, ou remotamente pela Internet. O resultado são matrizes móveis inusitadas que são retroalimentadas pela dinâmica que se estabelece no Flickr do projeto.

Essa interação, feita a partir da simbiose entre celulares e a Internet, permite não só uma escala de participação planetária no recinto expositivo, mesclando públicos de diversas naturezas, como também gera um arquivo permanente das diversas intervenções do público que é disponibilizado no site do projeto e pode ser reciclado pela ação do público continuamente.

Não menos relevante é o design do sistema que se adequa às configurações dos equipamentos dos participantes, fazendo automaticamente a renomeação e o resize das imagens e o formato open source do aplicativo, disponível para download em nosso site.

Inconclusão necessária

Ao centralizar a ação nas formas mais comuns de produção e publicação de imagens e transformar esse acesso numa surpresa estética (agenciada por uma rotina de programação possível de ser executada pelas regras da “caixa sílica”, mas que não era previsível) o projeto se abre em direção a uma reprogramação dos sentidos. Aproxima-se assim, de uma filosofia das imagens técnicas que pressupõe o “Outro” como destino de uma rota em constante bifurcação e nó provisório de um infinito Youniverse.

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